"O lugar do pai, o lugar da mãe: apoio e protagonismo..."


Quando uma família fica diante da notícia de que vai receber um filho, inicia-se um processo gradativo, mas intenso, de mudança e reposicionamento familiar.

A mãe passa a vivenciar mudanças físicas e emocionais que trazem a confirmação: “sim, estou grávida, vou ser mãe!”. Aos poucos, a mãe sente a maternidade se materializando no corpo e na alma. Assim, ela vai se preparando, cuidando das demandas que a maternidade traz dentro do que é possível para ela, no seu tempo... É o seu processo, único!

O pai não experimenta mudanças físicas como a mãe, pode, ao se identificar com a mulher, viver algumas mudanças no seu corpo, mas o trabalho físico da mãe é só dela, individual. O pai então aparece como apoiador, esse é o papel que o pai precisa assumir desde então. Ele não sente os enjoos, por exemplo, mas pode prover meios da mulher ter seus sintomas aliviados acolhendo e oferecendo sustentação à sua experiência.

A mãe vive um trabalho interno muito intenso que convida a uma experiência de acomodação, de recepção e de cuidado do bebê.

O homem pode buscar meios de entender e acolher o que está acontecendo no mundo interno da família, mas a ele cabe o trabalho externo de apoio e provimento, físico e emocional.

Esta tarefa do homem não é fácil, às vezes ele busca compreender e atender ás demandas advindas da maternidade, mas ele não sabe muito bem como fazer isso, pois o processo não é dele, e não entende muito bem como ajudar. O pai não pode viver as experiências maternas, mas pode e deve apoiar...

É neste dilema fundamental da família que a mulher precisa cuidar de dar espaço e legitimar a presença e o papel do pai...

É provável que ele não dê exatamente o que ela espera, pois as expectativas são projeções que colocamos em nossos relacionamentos. Ela precisa ser clara em suas necessidades e falar de suas expectativas para dar a possibilidade de tê-las assistidas, ou não...

O pai é aquele que sustenta emocionalmente a mãe para que ela viva a maternidade, desde a gestação, o pós-parto e as fases iniciais da vida com filhos. Um pouco mais além, o pai vai assumir o seu protagonismo, é outra fase, e a mãe precisa dar passagem.

Há um tempo de protagonismo da mãe, e há outro de protagonismo do pai.

A mulher constrói a maternidade durante a gestação a partir das experiências vividas no corpo, que repercutem em uma construção emocional. O homem torna-se pai quando toma o filho nos braços, materializando a paternidade.

Quando o casal torna-se pai e mãe, é fundamental que olhe para os novos papéis: além da parceria como casal, agora são parceiros na tarefa de receber, acolher e cuidar dos filhos.

Essa mudança precisa ser cuidada, refletida, conversada entre o casal.

Trata-se de um alinhamento muito importante, cujos benefícios serão percebidos na vida emocional dos filhos e do casal, que precisa se manter como casal para assumir os papéis parentais.

O núcleo da família está no casal, é dali que tudo parte.


Abraço fraterno e até a próxima!



(28 de fevereiro de 2013)

Rosângele Monteiro

Psicóloga Perinatal Gestantes, Mãe-Bebê-Família Adolescentes, Casais e Famílias

www.ninhomaterno.com www.facebook.com/NinhoMaterno

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